A vida continua... tem que continuar
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A vida continua... tem que continuar


Hoje, 3 dias após os atentados que mexeram com a França e com o mundo, a vida teve que continuar.

O que mais me chamou a atenção foi o silêncio no metrô. Geralmente é aquela muvuca, tem sempre os mal-educados falando alto no celular, fazendo questão de mostrar a música que estão escutando para todo mundo. Nada disso, hoje as pessoas pareciam se olhar umas para as outras com um olhar de interrogação, ou então olhar para o vazio. Eu que sempre reclamava do barulho, senti tanta tristeza com esse silêncio.

Tudo parecia muito lento. Os passos geralmente tão apressados dos parisienses pareciam no modo "camera lenta".

Fui encontrar o meu marido às 16h30 na saída da escola (uma das 4) em que ele trabalha, que fica  a poucos metros dos locais dos atentados. Há 6 anos ele passa praticamente todos os dias diante de dois dos locais onde houveram os atentados.
 Os dois restaurantes ficam de frente um para o outro, cortados por uma rua.
Ao contrário do que andaram dizendo em alguns artigos brasileiros, o bairro não é classe média ou classe média-alta, é sobretudo um bairro popular, com muita imigração. Inclusive essa escola em que trabalha o meu marido é considerada em uma zona de educação prioritária, com muitas famílias em condições sociais ou econômicas precárias, os alunos falam mais de 60 línguas diferentes. Mas ao lado disso tudo famílias com melhores condições que gostam de morar no meio de toda essa diversidade de culturas. Franceses de espírito mais aberto e que frequentam ambientes populares e sem frescura. E as crianças de todas essas familias tão diferentes estudam nas mesmas escolas, brincam nos mesmos jardins e tomam banho na mesma piscina municipal.

5 minutos à pé fica a Place de la Republique, palco de manifestações e homenagens. Ali muito silêncio e emoção.

Seguimos em direção à casa de espetaculos Bataclan, onde 89 pessoas perderam a vida, passando por dois outros locais de atentados. Ali não dava para se aproximar, a policia bloqueou toda rua, o que não impediu as homenagens.
Tudo ali pertinho, foi uma caminhada bem curta, fica fácil entender como os criminosos conseguiram atingir tantos pontos e tanta gente em tão pouco tempo.

Anda circulando por aqui uma mensagem que teria sido publicada em um comentário sobre os atentados no jornal New York Times, que deixou os franceses ainda mais orgulhosos de seu modo de vida. Segue uma tradução aproximativa:

"A França representa tudo o que os fanaticos religiosos odeiam: curtir a vida de diversas pequenas maneiras diferentes: uma xícara de café perfumado com um croissant, mulheres bonitas em vestido curto que sorriem livremente, o cheirinho de pão quente, uma garrafa de vinho compartilhada com amigos, crianças que brincam no Jardin du Luxembourg, o direito de não acreditar em Deus, de paquerar, fumar e fazer sexo sem casamento, ler qualquer tipo de livro, ir à escola gratuitamente (e eu acrescentaria meninos e meninas!), brincar, rir, discutir, fazer piadas de religiosos e homens políticos, deixar aos mortos a preocupação sobre o que existe no lado de la. Nenhum país aproveita melhor a vida do que a França."

Ninguém merece morrer porque gosta de sentar em um bar para beber uma cerveja (ou vinho), sexta à noite! Nem porque gosta de sair, escutar musica, dançar e se divertir.

E para aqueles que se perguntam, eu não tenho nenhuma dúvida, Paris nunca sera destruída! E o que não mata, nos deixa ainda mais fortes.

Inclusive o lema de Paris é "Fluctuat nec mergitur" (battue par les flots, mais ne sombre pas), o que significa: sacudida pelas ondas, mas não afunda.




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